Conversas com Cinema© apresenta:

Ciclo Luzes na Caverna XIII:
”A imagem como suspensão da memória.”
:
“TROIS COULEURS: BLEU”
1993 | M/12 | 1h38 [FR\PL\CH]
De Krzysztof Kieślowski

Jovens e Adultos
Com Alexandre Braga

”A imagem como suspensão da memória.”:
“TROIS COULEURS: BLEU” 1993 | M/12 | 1h38 [FR\PL\CH] (Três Cores: Azul - PT | Three Colours: Blue - ENG)
De Krzysztof Kieślowski

Sábado Dia 18/07 às 19h30 [Saturday 07/18 at 7:30pm]

Spoken in French | Subtitled in English

Em “Trois Couleurs: Bleu”, Krzysztof Kieślowski filma esse intervalo delicado entre a perda e o recomeço. Cada silêncio, cada fragmento musical, cada vibração do azul parece suspender o tempo, revelando que existem imagens capazes de permanecer muito depois de todas as palavras terem desaparecido.

Após perder subitamente o marido e a filha num acidente de automóvel, Julie decide cortar todos os laços com a vida que conhecia. Vende a casa, abandona os afetos, destrói as partituras inacabadas do marido e procura desaparecer numa existência anónima, acreditando que a liberdade talvez consista em não depender de ninguém. Mas há memórias que não permanecem apenas na consciência. Habitam os gestos, os corpos, a música, a luz e os pequenos fragmentos do quotidiano, regressando quando julgávamos tê-las finalmente deixado para trás.

Realizado por Krzysztof Kieślowski, “Trois Couleurs: Bleu” é uma das obras maiores do cinema europeu contemporâneo. Primeiro capítulo da trilogia inspirada nos ideais da Revolução Francesa, o filme transforma a experiência do luto numa investigação profundamente sensorial sobre a liberdade, a memória e a possibilidade de recomeçar. A interpretação magistral de Juliette Binoche, a música inesquecível de Zbigniew Preisner e uma extraordinária utilização da cor azul constroem uma obra onde cada silêncio parece dizer mais do que qualquer palavra.

Exibido no âmbito da rúbrica CONVERSAS COM CINEMA© e do ciclo LUZES NA CAVERNA, na sua 13.ª edição, propomos uma conversa aberta após a sessão em torno da ideia "A imagem como suspensão da memória". Em “Trois Couleurs: Bleu”, a imagem deixa de funcionar como simples representação do passado para se tornar o próprio lugar onde a memória permanece suspensa, entre aquilo que desapareceu e aquilo que continua silenciosamente a existir. O cinema de Kieślowski não procura explicar o luto nem oferecer um caminho para o ultrapassar. Convida-nos, antes, a habitar esse intervalo delicado onde o tempo abranda, as emoções ganham forma sensível e descobrimos que esquecer talvez nunca signifique apagar. Há imagens que não conservam apenas a memória: tornam-se elas próprias a forma através da qual continuamos a viver com aquilo que perdemos.

Após a projeção, propomos uma conversa aberta em torno da ideia "A imagem como suspensão da memória."

Vivemos numa época que nos convida constantemente a seguir em frente: ultrapassar, substituir, esquecer. Mas a experiência humana raramente obedece a essa lógica. Existem perdas que não desaparecem, porque passam a integrar silenciosamente a matéria de quem somos.

Em “Trois Couleurs: Bleu”, Krzysztof Kieślowski sugere que o cinema pode tornar visível essa dimensão invisível da existência. Não através da explicação psicológica nem da emoção fácil, mas pela delicadeza da luz, da música, do silêncio e do tempo. Quando a imagem deixa de ilustrar acontecimentos e passa a acolher aquilo que não pode ser plenamente dito, transforma-se num lugar de permanência.

Talvez seja essa uma das formas mais discretas de liberdade que o cinema nos oferece: não a libertação da memória, mas a possibilidade de continuar a viver sem renunciar àquilo que ela nos deu.

_ENG

Lights in the Cave XIII Cinema Screenings: “The Image as the Suspension of Memory”:
“TROIS COULEURS: BLEU” 1993 | M/12 | 1h38 [FR\PL\CH] (Three Colours: Blue - ENG)
By Krzysztof Kieślowski
With Alexandre Braga

In Trois Couleurs: Bleu, Krzysztof Kieślowski captures that fragile interval between loss and renewal. Every silence, every musical fragment, every vibration of blue seems to suspend time itself, revealing that some images endure long after words have fallen away.

After suddenly losing her husband and daughter in a car accident, Julie decides to sever all ties with the life she once knew. She sells her house, withdraws from those she loves, destroys her late husband's unfinished musical score, and seeks to disappear into an anonymous existence, believing that freedom might lie in depending on no one. Yet some memories do not remain confined to consciousness. They inhabit gestures, bodies, music, light, and the smallest fragments of everyday life, returning just when we believe we have finally left them behind.

Directed by Krzysztof Kieślowski, Trois Couleurs: Bleu is one of the defining achievements of contemporary European cinema. The first chapter of the celebrated trilogy inspired by the ideals of the French Revolution, the film transforms the experience of grief into a deeply sensorial meditation on freedom, memory and the possibility of beginning again. Juliette Binoche's extraordinary performance, the unforgettable score by Zbigniew Preisner, and Kieślowski's masterful use of the colour blue combine to create a work in which every silence seems to speak more eloquently than words.

Presented as part of CONVERSAS COM CINEMA© and the thirteenth edition of LUZES NA CAVERNA, we invite audiences to join an open discussion after the screening around the theme "The Image as the Suspension of Memory." In Trois Couleurs: Bleu, the image ceases to function merely as a representation of the past and becomes the very place where memory is held in suspension, between what has vanished and what continues to exist in silence. Kieślowski's cinema does not seek to explain grief or offer a path beyond it. Instead, it invites us to dwell within that fragile interval where time slows, emotions acquire a tangible form, and we begin to realise that forgetting may never truly mean erasing. Some images do more than preserve memory: they become the very means through which we continue to live with what we have lost.


‍ ‍Following the screening, we invite you to join an open discussion around the theme "The Image as the Suspension of Memory."

We live in a time that constantly urges us to move on: to overcome, to replace, to forget. Yet human experience rarely follows such a logic. Some losses never truly disappear, because they quietly become part of the very fabric of who we are.

In “Trois Couleurs: Bleu”, Krzysztof Kieślowski suggests that cinema can make this invisible dimension of existence perceptible. Not through psychological explanation or easy emotion, but through the subtle interplay of light, music, silence and time. When the image ceases merely to illustrate events and begins to embrace what cannot be fully expressed, it becomes a place of endurance.

Perhaps this is one of the most discreet forms of freedom that cinema can offer us: not freedom from memory, but the possibility of continuing to live without renouncing what memory has given us.

Alexandre iniciou seus estudos em música desde a infância, mas escolheu direcionar-se para a comunicação e o cinema ao ingressar na universidade, ainda em sua cidade natal, São Paulo (Brasil). Anos depois de lançar seu primeiro curta-metragem de ficção, mudou-se para Lisboa (Portugal), onde fundou a BASE Comunicação Audiovisual, uma agência de comunicação audiovisual, gerindo contas especializadas de diversas marcas e produtos, enquanto com ideias mais artísticas, dedicou-se ao universo do poetry film, da ficção e do drama.

Retomando também suas atividades acadêmicas, e após fazer o mestrado em Desenvolvimento de Projeto Cinematográfico com especialização em Narrativas Cinematográficas concluiu o doutoramento em Ciências da Comunicação também com especialização em Cinema na Universidade Nova de Lisboa. Hoje atua como investigador no IFILNOVA - Instituto de Filosofia da NOVA na área dos film studies e dos cultural studies. Atualmente, também é professor de Comunicação e Linguagens Audiovisuais no Instituto Politécnico de Portalegre e em uma renomada escola profissional em Lisboa. É convidado frequentemente para ser consultor de histórias que procuram o seu êxito junto do espectador cinematográfico. Seu mais recente e atual projeto, focado em promover a partilha de narrativas como um meio de autocuidado terapêutico, foi a fundação da PROSA Plataforma Cultural, um espaço aberto à comunidade com atividades que utilizam o poder transformador das artes narrativas e visuais. Lá, com a sua curadoria e com a criação de um extenso grupo de espectadores de cinema, faz-se semanalmente a exibição de ciclos de cinema, seguidos de debates e análises.

(Filmografia)

"O amor, quando sopra", 6'30'' - 1988
"Mickey", 18’  - 1992
"Buritizal", 39' - 2008
"(Ce n'est pas une) Chanson d'Amour", 09'30'' - 2009
"Fiapo", 5' - 2010
"Um Fiapo de Homem" (Remixes), 3'/7' - 2011
"Devolvendo Isabel", 11’ - 2012
"Meu Pássaro", 15’ - 2017

18 de julho, às 19h30

Mín.: 4 participantes
Máx.: 12 participantes

Horário XII Edição:

3€
0€*

*Valores para membros Prosa.

Valores: