Conversas com Cinema© apresenta:

Ciclo Luzes na Caverna IX:
”A imagem como
cartografia do sonho.”
:
“THE FALL” 2006 | M/12 | 1h57’ [US]
De Tarsem Singh

Jovens e Adultos
Com Alexandre Braga

”A imagem como cartografia do sonho.”:
“THE FALL” 2006 | M/12 | 1h57’ [US] (Um Sonho Encantado - PT)
De Tarsem Singh
Sábado Dia 07/02 às 19h30 [Saturday 02/07 at 7:30pm]

Spoken in English | Subtitled in Portuguese

THE FALL desloca a narrativa para um território onde a imaginação deixa de ser refúgio e passa a ser campo de disputa ética. A história nasce de uma assimetria radical: um adulto ferido, suspenso entre a vida e o desejo de cessar, e uma criança cuja confiança ainda não foi corroída pelo mundo. Entre ambos instala-se uma fábula que não revela — contamina. Cada imagem fabulosa carrega já a marca da dor que a gerou, e cada gesto narrativo aproxima perigosamente o cuidado da manipulação. Que tipo de verdade emerge quando contar histórias deixa de ser um acto inocente e se torna uma estratégia de sobrevivência? Em THE FALL, o cinema não oferece consolo: expõe a fragilidade do pacto narrativo, mostrando como a imaginação pode ser, ao mesmo tempo, abrigo e arma, cura provisória e queda moral.

O ciclo LUZES NA CAVERNA prossegue com a exibição de “THE FALL”, de Tarsem Singh, uma obra singular sobre a imaginação enquanto força ambígua de ligação e desvio. Situado entre o espaço clínico do hospital e a vastidão delirante da fábula contada, o filme acompanha a relação improvável entre Roy, um homem imobilizado pela dor e pelo desencanto, e Alexandria, uma criança cuja escuta ainda não foi capturada pelo cinismo do mundo adulto.

Aqui, o cinema não documenta o real — reconfigura-o.
A narrativa fantástica não surge como fuga decorativa, mas como operação ativa sobre o vínculo: cada personagem inventado, cada paisagem excessiva, nasce contaminada pelo estado interior de quem narra. O imaginário não é neutro; ele transporta desejo, ressentimento, manipulação. O conto avança à medida que a dor insiste, e o gesto de narrar revela-se simultaneamente cuidado e violência.

As imagens — filmadas em locais reais, sem artifício digital — instauram um paradoxo central: quanto mais grandiosa a fantasia, mais frágil se torna o pacto ético que a sustém. O cinema de Tarsem não procura a ilusão perfeita, mas a fratura entre quem conta e quem acredita. A criança escuta, mas também intervém; corrige a história, resiste ao seu tom sombrio, reinscreve nela uma ética intuitiva que o adulto já perdeu.

Após a projeção, propomos uma conversa aberta com o público em torno da ideia “A imaginação como pacto e risco”, refletindo sobre a responsabilidade de narrar, o uso do outro como suporte da dor própria e o cinema enquanto ritual íntimo onde a fantasia não redime automaticamente — apenas adia, desloca ou expõe a queda. Em THE FALL, o cinema não salva: coloca em suspenso a pergunta sobre até onde podemos ir quando contamos histórias para não cair.

IMDB
TRAILER

_ENG

Lights in the Cave IX Cinema Screenings: “The image as the cartography of the dream.”:
“THE FALL” 2006 | M/12 | 1h57’ [US]
Directed by Tarsem Singh

With Alexandre Braga

THE FALL displaces narrative into a territory where imagination ceases to be refuge and becomes a field of ethical tension. The story emerges from a radical asymmetry: a wounded adult, suspended between life and the desire to cease, and a child whose trust has not yet been eroded by the world. Between them unfolds a fable that does not reveal — it contaminates. Each fabulous image already carries the mark of the pain that generated it, and each narrative gesture dangerously blurs the line between care and manipulation. What kind of truth emerges when storytelling ceases to be an innocent act and becomes a strategy of survival? In The Fall, cinema does not offer consolation: it exposes the fragility of the narrative pact, showing how imagination can be, at once, shelter and weapon, provisional cure and moral fall.

The LUZES NA CAVERNA cycle continues with the screening of The Fall (2006), by Tarsem Singh, a singular work on imagination as an ambiguous force of connection and deviation. Situated between the clinical space of the hospital and the delirious vastness of the tale being told, the film follows the improbable relationship between Roy, a man immobilized by pain and disillusionment, and Alexandria, a child whose capacity for listening has not yet been captured by adult cynicism.

Here, cinema does not document reality — it reconfigures it.

The fantastic narrative does not function as decorative escape, but as an active operation upon the bond itself: each invented character, each excessive landscape, is contaminated by the inner state of the one who narrates. The imaginary is not neutral; it carries desire, resentment, manipulation. The story advances as pain persists, and the act of narration reveals itself as both care and violence.

The images — filmed in real locations, without digital artifice — establish a central paradox: the more grandiose the fantasy, the more fragile the ethical pact that sustains it becomes. Tarsem’s cinema does not pursue perfect illusion, but the fracture between the one who tells and the one who believes. The child listens, but also intervenes; she corrects the story, resists its darkening tone, reinscribing within it an intuitive ethics the adult has already lost.

After the screening, we propose an open conversation with the audience around the idea “Imagination as pact and risk,” reflecting on the responsibility of narrating, the use of the other as support for one’s own pain, and cinema as an intimate ritual in which fantasy does not automatically redeem — it merely postpones, displaces, or exposes the fall.

Alexandre iniciou seus estudos em música desde a infância, mas escolheu direcionar-se para a comunicação e o cinema ao ingressar na universidade, ainda em sua cidade natal, São Paulo (Brasil). Na época, trabalhou com produção e realização de spots publicitários. Anos depois de lançar seu primeiro curta-metragem de ficção, mudou-se para Lisboa (Portugal), onde fundou a BASE Comunicação Audiovisual, uma agência de comunicação audiovisual, gerindo contas especializadas de diversas marcas e produtos, enquanto com ideias mais artísticas, dedicou-se ao universo do poetry film, da ficção e do drama.

Retomando também suas atividades acadêmicas, e após fazer o mestrado em Desenvolvimento de Projeto Cinematográfico com especialização em Narratologia e Narrativas Cinematográficas concluiu o doutoramento em Ciências da Comunicação também com especialização em Cinema na Universidade Nova de Lisboa e atua hoje como investigador no IFILNOVA - Instituto de Filosofia da NOVA. Atualmente, também é professor de Comunicação Audiovisual em uma renomada escola profissional em Lisboa e é convidado frequentemente para ser consultor de histórias que procuram o seu êxito junto do espectador cinematográfico. Seu mais recente e atual projeto, focado em promover a partilha de narrativas como um meio de autocuidado terapêutico, foi a fundação da PROSA Plataforma Cultural, um espaço aberto à comunidade com atividades que utilizam o poder transformador das artes narrativas e visuais. Lá, com a sua curadoria e com a criação de um extenso grupo de espectadores de cinema, faz-se semanalmente a exibição de ciclos de cinema e filmes, seguidos de debates e análises.

(Filmografia)

"O amor, quando sopra", 6'30'' - 1988
"Mickey", 18’  - 1992
"Buritizal", 39' - 2008
"(Ce n'est pas une) Chanson d'Amour", 09'30'' - 2009
"Fiapo", 5' - 2010
"Um Fiapo de Homem" (Remixes), 3'/7' - 2011
"Devolvendo Isabel", 11’ - 2012
"Meu Pássaro", 15’ - 2017

07 de fevereiro, às 19h30

Mín.: 4 participantes
Máx.: 12 participantes

Horário IX Edição:

3€
0€*

*Valores para membros Prosa.

Valores: