Conversas com Cinema© apresenta:

Ciclo O Cinema
começa aqui I:

BUSTER
KEATON

Cinema para crianças dos 6 aos 12 anos
Com Alexandre Braga

One Week (1920) — 25 min
The Goat (1921) — 23 min
Excerto de Cops (1922) — 6 min
Excerto de Sherlock Jr. (1924) — 10 min
Excerto de Steamboat Bill, Jr. (1928) — 7 min

Títulos em inglês | Subtítulos em português

BUSTER KEATON: O CINEMA DESCOBRE O MOVIMENTO

Antes dos super-heróis, antes da animação digital e muito antes dos efeitos especiais, existia um homem capaz de desafiar a gravidade apenas com o movimento do corpo, o rigor do gesto e uma extraordinária capacidade de transformar o inesperado em humor.

Nesta primeira sessão de O CINEMA COMEÇA AQUI I, convidamos crianças e famílias a descobrir o universo de Buster Keaton, um dos grandes génios da história do cinema.

Através de uma seleção de curtas-metragens e de alguns dos seus momentos mais inesquecíveis, veremos como o cinema aprendeu a contar histórias antes das palavras, quando bastavam um olhar, um movimento ou uma queda cuidadosamente coreografada para provocar o riso e o espanto.

Num tempo em que estamos rodeados por imagens rápidas e estímulos constantes, regressar ao cinema de Buster Keaton é redescobrir uma forma diferente de olhar. Uma forma mais atenta, mais paciente e mais disponível para encontrar humor nos pequenos acidentes do quotidiano.

Porque o cinema também é isto: a descoberta de que o movimento pode transformar-se em linguagem, que os objetos podem ganhar vida e que um sonho pode transportar-nos para lugares onde tudo parece possível.

Depois da projeção, teremos uma breve conversa aberta, onde os mais pequenos serão convidados a partilhar aquilo que descobriram ao longo desta viagem pelos primeiros grandes momentos da comédia cinematográfica.

Talvez seja essa a melhor forma de começar.

Descobrir que o cinema é muito mais do que ver um filme. É aprender a olhar o mundo.

Porquê estas escolhas?

A seleção desta primeira sessão foi pensada como uma pequena viagem pelas diferentes formas através das quais Buster Keaton transformou o movimento numa linguagem cinematográfica.

One Week é, talvez, a melhor porta de entrada para o seu universo. A construção de uma casa transforma-se numa sucessão de acontecimentos inesperados, onde as paredes parecem mudar de lugar, as portas deixam de cumprir a sua função e os objetos ganham uma autonomia quase mágica. Tudo parece obedecer à lógica livre e imprevisível da imaginação.

The Goat introduz o ritmo da perseguição, do equívoco e da extraordinária precisão física que tornou Keaton uma figura incontornável da história do cinema. Cada movimento é cuidadosamente calculado, revelando uma impressionante capacidade para transformar o corpo num instrumento de expressão e humor.

No excerto de Cops, a perseguição ganha uma nova dimensão. O que começa como uma simples fuga converte-se numa verdadeira coreografia coletiva, onde o movimento de dezenas de personagens constrói uma das sequências mais divertidas e memoráveis do cinema mudo.

O excerto de Sherlock Jr. apresenta uma ideia que as crianças compreendem intuitivamente: os sonhos têm regras diferentes da realidade. Quando a personagem adormece numa sala de projeção e atravessa o ecrã, os cenários transformam-se continuamente sob os seus pés. O jardim torna-se uma rua, a rua transforma-se numa montanha e a montanha converte-se num oceano. Quase um século depois, esta continua a ser uma das mais extraordinárias demonstrações da capacidade do cinema para reinventar o espaço.

‍ ‍Por fim, o excerto de Steamboat Bill, Jr. conduz-nos a um dos momentos mais famosos da história do cinema. No meio de um furacão, o mundo parece perder toda a estabilidade e uma fachada inteira desaba sobre a personagem, numa sequência que continua a despertar espanto pela sua ousadia e precisão.

Juntos, estes filmes revelam diferentes possibilidades da linguagem cinematográfica e convidam-nos a descobrir que, muito antes dos efeitos especiais digitais, o cinema já era um território de invenção, surpresa e encantamento.

_ENG

Ciclo WHERE CINEMA BEGINS I
(Curated by Alexandre Braga)

“BUSTER KEATON SHORT FILMS”

Saturday, 09/19 at 10:30am

A selection of Buster Keaton's most unforgettable short films, sequences, and gags, celebrating the undisputed master of visual comedy and one of the greatest geniuses of silent cinema.

‍ ‍BUSTER KEATON: CINEMA DISCOVERS MOVEMENT

Before superheroes, before digital animation, and long before special effects, there was a man capable of defying gravity through nothing more than the movement of his body, the precision of his gestures, and an extraordinary ability to transform the unexpected into comedy.

In this first session of CINEMA BEGINS HERE I, we invite children and families to discover the world of Buster Keaton, one of the great geniuses in the history of cinema.

Through a selection of short films and some of his most unforgettable moments, we will explore how cinema learned to tell stories before words, when a glance, a movement, or a carefully choreographed fall was enough to inspire both laughter and wonder.

At a time when we are surrounded by fast-moving images and constant stimulation, returning to Buster Keaton's cinema means rediscovering a different way of looking. A way that is more attentive, more patient, and more open to finding humour in the small accidents of everyday life.

Because cinema is also this: the discovery that movement can become a language, that objects can come to life, and that a dream can transport us to places where anything seems possible.

After the screening, we will hold a short open discussion, inviting children to share what they discovered throughout this journey into some of the earliest and most extraordinary moments in the history of cinematic comedy.

Perhaps this is the best place to begin.

To discover that cinema is much more than simply watching a film. It is learning how to look at the world.

Why these films?

The programme for this first session was designed as a short journey through the different ways in which Buster Keaton transformed movement into a cinematic language.

One Week is perhaps the perfect introduction to his universe. The construction of a house becomes a succession of unexpected events in which walls seem to change places, doors stop fulfilling their purpose, and objects acquire an almost magical autonomy. Everything appears to follow the free and unpredictable logic of imagination.

The Goat introduces the rhythm of pursuit, misunderstanding, and the extraordinary physical precision that established Keaton as one of the defining figures in the history of cinema. Every movement is carefully calculated, revealing his remarkable ability to transform the body into an instrument of expression and humour.

In the Cops excerpt, the chase reaches an entirely new dimension. What begins as a simple escape gradually develops into a collective choreography, where the movement of dozens of characters creates one of the funniest and most memorable sequences of the silent era.

The Sherlock Jr. excerpt introduces an idea that children intuitively understand: dreams follow different rules from reality. When the character falls asleep in a projection booth and steps through the screen, the scenery continuously changes beneath his feet. A garden becomes a street, a street becomes a mountain, and a mountain turns into an ocean. Nearly a century later, it remains one of the most extraordinary demonstrations of cinema's ability to reinvent space.

Finally, the Steamboat Bill, Jr. excerpt takes us to one of the most iconic moments in film history. In the middle of a violent storm, the world seems to lose all stability, and an entire building façade collapses onto the character in a sequence that continues to inspire amazement through its audacity and precision.

Together, these films reveal different possibilities within cinematic language and invite us to discover that, long before digital special effects, cinema was already a territory of invention, surprise, and wonder.

Alexandre iniciou seus estudos em música desde a infância, mas escolheu direcionar-se para a comunicação e o cinema ao ingressar na universidade, ainda em sua cidade natal, São Paulo (Brasil). Anos depois de lançar seu primeiro curta-metragem de ficção, mudou-se para Lisboa (Portugal), onde fundou a BASE Comunicação Audiovisual, uma agência de comunicação audiovisual, gerindo contas especializadas de diversas marcas e produtos, enquanto com ideias mais artísticas, dedicou-se ao universo do poetry film, da ficção e do drama.

Retomando também suas atividades acadêmicas, e após fazer o mestrado em Desenvolvimento de Projeto Cinematográfico com especialização em Narrativas Cinematográficas concluiu o doutoramento em Ciências da Comunicação também com especialização em Cinema na Universidade Nova de Lisboa. Hoje atua como investigador no IFILNOVA - Instituto de Filosofia da NOVA na área dos film studies e dos cultural studies. Atualmente, também é professor de Comunicação e Linguagens Audiovisuais no Universidade Politécnico de Portalegre e em uma renomada escola profissional em Lisboa. É convidado frequentemente para ser consultor de histórias que procuram o seu êxito junto do espectador cinematográfico. Seu mais recente e atual projeto, focado em promover a partilha de narrativas como um meio de autocuidado terapêutico, foi a fundação da PROSA Plataforma Cultural, um espaço aberto à comunidade com atividades que utilizam o poder transformador das artes narrativas e visuais. Lá, com a sua curadoria e com a criação de um extenso grupo de espectadores de cinema, faz-se semanalmente a exibição de ciclos de cinema, seguidos de debates e análises.

(Filmografia)

"O amor, quando sopra", 6'30'' - 1988
"Mickey", 18’  - 1992
"Buritizal", 39' - 2008
"(Ce n'est pas une) Chanson d'Amour", 09'30'' - 2009
"Fiapo", 5' - 2010
"Um Fiapo de Homem" (Remixes), 3'/7' - 2011
"Devolvendo Isabel", 11’ - 2012
"Meu Pássaro", 15’ - 2017

19 de setembro, às 10h30

Mín.: 4 participantes
Máx.: 12 participantes

Horário XII Edição:

3€
0€*

*Valores para membros Prosa.

Valores: