Conversas com Cinema© apresenta:
Ciclo Luzes na Caverna XI:
”A imagem como
encantamento do real.”:
“I KNOW WHERE I’M GOING!”
1945 | 1h31’ [UK]
De M. Powell + E. Pressburger
Jovens e Adultos
Com Alexandre Braga
”A imagem como encantamento do real.”:
“I KNOW WHERE I’M GOING!” 1945 | M/12 | 1h31’ [UK] (Sei para onde vou! - PT)
De Michael Powell + Emeric Pressburger
Sexta-feira Dia 08/05 às 19h30 [Friday 05/08 at 7:30pm]
Spoken in English | Subtitled in Portuguese
Há filmes que parecem nascer de uma hipótese simples: e se o mundo ainda fosse capaz de nos surpreender?
“I KNOW WHERE I’M GOING!” (1945), de Michael Powell e Emeric Pressburger, pertence a essa rara categoria de obras onde o cinema não procura dominar o real — procura reencontrar o seu mistério: a história é aparentemente direta: Joan Webster, jovem determinada e pragmática, parte rumo às Hébridas para casar com um homem rico que quase não conhece. Mas uma tempestade impede a travessia final para a ilha de Kiloran. Aquilo que parecia apenas um atraso logístico transforma-se lentamente numa experiência de deslocamento interior. O tempo suspende-se. O plano calculado começa a desfazer-se.
Powell e Pressburger filmam a paisagem escocesa como se ela fosse mais do que cenário: uma força invisível que intervém na narrativa. O vento, o mar, as marés, as lendas locais e os encontros fortuitos criam uma atmosfera onde o destino deixa de parecer um projeto racional e passa a ser algo que emerge do próprio mundo.
Aqui, o cinema revela um gesto antigo: encantar novamente o real: não através da fantasia ou do espetáculo, mas através de uma atenção profunda àquilo que nos rodeia. Como se a natureza — e os encontros humanos que nela acontecem — ainda guardasse a capacidade de desviar os nossos planos e reabrir o futuro.
O ciclo LUZES NA CAVERNA, dedicado à exploração filosófica do cinema e da imagem, chega à sua décima primeira sessão com uma obra singular do cinema britânico.
Em “I KNOW WHERE I’M GOING!”, Powell e Pressburger constroem um cinema onde a paisagem, o acaso e a tradição popular coexistem com o desejo humano de controlar o próprio destino. O filme nasce num momento histórico particular — o final da Segunda Guerra Mundial — quando o cinema procurava reimaginar a relação entre indivíduo, comunidade e território.
Entre romance, mito e comédia delicada, o filme revela uma crença rara no poder do encontro inesperado. Não se trata apenas de uma história de amor: é uma meditação sobre o momento em que o mundo resiste aos nossos planos e nos obriga a reconsiderar quem somos.
Nesta sessão, regressamos a um cinema onde a imagem não se limita a mostrar o mundo: ela devolve-lhe densidade, imprevisibilidade e magia.
Após a projeção, propomos uma conversa aberta em torno da ideia “A imagem como encantamento do real.”
Que papel desempenha a paisagem neste filme?
Estamos perante um romance clássico ou diante de uma narrativa onde a própria natureza intervém na transformação das personagens?
Num tempo contemporâneo marcado pela aceleração, pelo cálculo e pela previsibilidade algorítmica, “I KNOW WHERE I’M GOING!” lembra-nos algo essencial: nem todos os caminhos podem ser planeados.
Talvez seja precisamente nesse desvio — no momento em que o mundo interrompe a nossa rota — que o cinema encontra a sua forma mais delicada de revelação.
Quando a imagem permite que o real recupere o seu mistério, ela deixa de ser apenas representação. Torna-se experiência.
E talvez seja isso que Powell e Pressburger nos recordam: às vezes acreditamos saber exatamente para onde vamos… até que o vento muda.
_ENG
Lights in the Cave XI Cinema Screenings: “The image as enchantment of the real.”:
“I KNOW WHERE I’M GOING!” 1945 | M/12 | 1h31’ [UK]
De Michael Powell + Emeric Pressburger
With Alexandre Braga
Some films seem to emerge from a simple hypothesis: what if the world were still capable of surprising us?
“I KNOW WHERE I’M GOING!” (1945), by Michael Powell and Emeric Pressburger, belongs to that rare category of works in which cinema does not attempt to master reality — it seeks to rediscover its mystery: the story appears straightforward: Joan Webster, a determined and pragmatic young woman, travels to the Hebrides to marry a wealthy man she barely knows. But a storm prevents the final crossing to the island of Kiloran. What initially seems like a mere logistical delay slowly becomes an experience of inner displacement. Time suspends itself. The carefully calculated plan begins to unravel.
Powell and Pressburger film the Scottish landscape as if it were more than a setting: an invisible force that intervenes in the narrative. The wind, the sea, the tides, the local legends, and the unexpected encounters create an atmosphere in which destiny no longer appears as a rational project, but as something that emerges from the world itself.
Here, cinema performs an ancient gesture: to enchant the real once again. Not through fantasy or spectacle, but through a deep attention to what surrounds us. As if nature — and the human encounters that unfold within it — still held the power to divert our plans and reopen the future.
The Lights in the Cave cinema cycle, dedicated to the philosophical exploration of cinema and the image, reaches its eleventh session with a singular work of British cinema. If previous sessions examined the image as a decomposition of time, a ritual of memory, or a mediator of conflict, this screening proposes another hypothesis: the image as enchantment of the real.
In “I KNOW WHERE I’M GOING!” , Michael Powell and Emeric Pressburger construct a cinema where landscape, chance, and popular tradition coexist with the human desire to control one’s own destiny. The film emerges from a particular historical moment — the final years of the Second World War — when cinema was searching for new ways to imagine the relationship between the individual, the community, and the land.
Somewhere between romance, myth, and delicate comedy, the film reveals a rare belief in the transformative power of the unexpected encounter. It is not merely a love story: it is also a meditation on the moment when the world resists our plans and compels us to reconsider who we are.
In this session, we return to a cinema in which the image does not simply show the world: it restores its density, unpredictability, and quiet magic.
What role does the landscape play in this film?
Are we watching a classical romance, or a narrative in which nature itself participates in the transformation of the characters?
In a contemporary world shaped by acceleration, calculation, and algorithmic predictability, I Know Where I’m Going! reminds us of something essential: not every path can be planned.
Perhaps it is precisely in this deviation — in the moment when the world interrupts our route — that cinema finds one of its most delicate forms of revelation.
When the image allows reality to recover its mystery, it ceases to be mere representation. It becomes experience.
And perhaps that is what Powell and Pressburger ultimately remind us of: sometimes we believe we know exactly where we are going… until the wind changes.
Alexandre iniciou seus estudos em música desde a infância, mas escolheu direcionar-se para a comunicação e o cinema ao ingressar na universidade, ainda em sua cidade natal, São Paulo (Brasil). Na época, trabalhou com produção e realização de spots publicitários. Anos depois de lançar seu primeiro curta-metragem de ficção, mudou-se para Lisboa (Portugal), onde fundou a BASE Comunicação Audiovisual, uma agência de comunicação audiovisual, gerindo contas especializadas de diversas marcas e produtos, enquanto com ideias mais artísticas, dedicou-se ao universo do poetry film, da ficção e do drama.
Retomando também suas atividades acadêmicas, e após fazer o mestrado em Desenvolvimento de Projeto Cinematográfico com especialização em Narratologia e Narrativas Cinematográficas concluiu o doutoramento em Ciências da Comunicação também com especialização em Cinema na Universidade Nova de Lisboa e atua hoje como investigador no IFILNOVA - Instituto de Filosofia da NOVA. Atualmente, também é professor de Comunicação e Linguagens Audiovisuais no Instituto Politécnico de Portalegre e em uma renomada escola profissional em Lisboa. É convidado frequentemente para ser consultor de histórias que procuram o seu êxito junto do espectador cinematográfico. Seu mais recente e atual projeto, focado em promover a partilha de narrativas como um meio de autocuidado terapêutico, foi a fundação da PROSA Plataforma Cultural, um espaço aberto à comunidade com atividades que utilizam o poder transformador das artes narrativas e visuais. Lá, com a sua curadoria e com a criação de um extenso grupo de espectadores de cinema, faz-se semanalmente a exibição de ciclos de cinema e filmes, seguidos de debates e análises.
(Filmografia)
"O amor, quando sopra", 6'30'' - 1988
"Mickey", 18’ - 1992
"Buritizal", 39' - 2008
"(Ce n'est pas une) Chanson d'Amour", 09'30'' - 2009
"Fiapo", 5' - 2010
"Um Fiapo de Homem" (Remixes), 3'/7' - 2011
"Devolvendo Isabel", 11’ - 2012
"Meu Pássaro", 15’ - 2017
08 de maio, às 19h30
Mín.: 4 participantes
Máx.: 12 participantes
Horário XI Edição:
3€
0€*
*Valores para membros Prosa.Valores:

