Conversas com Cinema© apresenta:
Ciclo Luzes na Caverna X:
”A imagem como mediador de
poder e conflito.”:
“DO THE RIGHT THING” 1989 | 2h [US]
De Spike Lee
Jovens e Adultos
Com Alexandre Braga
”A imagem como mediador de poder e conflito.”:
“DO THE RIGHT THING” 1989 | M/12 | 2h [US] (Não Dês Bronca - PT)
De Spike Lee
Sexta-feira Dia 27/03 às 19h30 [Friday 03/27 at 7:30pm]
Spoken in English | Subtitled in Portuguese
“DO THE RIGHT THING” inscreve-se sob o signo de uma tensão acumulada, onde o bairro não é cenário, mas campo de forças. O calor não é meteorologia: é metáfora de um sistema que ferve. Cada rosto filmado frontalmente exige resposta; cada explosão verbal carrega décadas de desigualdade. A pergunta não é apenas moral — “fazer o certo?” — mas estrutural: quem detém o poder de definir o que é certo?
Em Spike Lee, a imagem não observa o conflito à distância: intervém nele. A cor saturada, o enquadramento que confronta, a música que reivindica identidade — tudo compõe um dispositivo onde ver é já participar. A imagem como mediador de poder e conflito não suaviza a fratura: torna-a visível, audível, incontornável. O cinema não oferece reconciliação; oferece exposição. E, ao expor, obriga-nos a ocupar uma posição.
O ciclo LUZES NA CAVERNA, na sua 10ª edição, prossegue com a exibição de “DO THE RIGHT THING”, de Spike Lee: um filme onde o espaço urbano se converte em laboratório ético. Ao longo de um único dia de verão em Brooklyn, acompanhamos a pulsação de um bairro atravessado por diferenças raciais, tensões económicas e pertenças culturais que coexistem sem jamais se fundirem. A rua é território partilhado — mas nunca plenamente comum.
A encenação intensifica essa fratura: cores saturadas, confrontos frontais com a câmara, música que afirma identidade e memória. Nada é neutro. Cada enquadramento parece perguntar quem detém a palavra, quem ocupa o centro, quem suporta o peso da história. Em vez de oferecer uma moral conciliadora, o filme expõe o impasse e devolve ao espectador a responsabilidade do juízo.
A imagem surge, assim, como mediador de poder e conflito — não para resolver a tensão, mas para torná-la visível e incontornável.
Após a projeção, propomos uma conversa aberta com o público em torno da ideia “A imagem como mediador de poder e conflito”, interrogando o lugar do espectador perante a tensão exposta no ecrã. Que responsabilidade temos quando assistimos à escalada de um impasse coletivo? Até que ponto ver é já participar?
Refletiremos sobre a circulação da palavra, a ocupação do espaço público e a linha frágil entre resistência e destruição. O filme não oferece absolvições fáceis nem condenações simplistas; mantém a pergunta em aberto. Aqui, o cinema não resolve o conflito — obriga-nos a pensar de que lado estamos quando a imagem nos coloca no centro da rua.
_ENG
Lights in the Cave X Cinema Screenings: “The image as a mediator of power and conflict.”:
“DO THE RIGHT THING” 1989 | M/12 | 2h [US] (Não Dês Bronca - PT)
De Spike Lee
With Alexandre Braga
“DO THE RIGHT THING” unfolds under the sign of accumulated tension, where the neighborhood is not a backdrop but a field of forces. The heat is not mere weather; it becomes the metaphor of a system on the verge of boiling over. Each face filmed head-on demands a response; every verbal outburst carries decades of inequality. The question is not only moral — “to do the right thing?” — but structural: who holds the power to define what “right” means?
In Spike Lee, the image does not observe conflict from a distance; it intervenes. Saturated colors, confrontational framing, music that asserts identity — all form a dispositif in which seeing already implies participation. The image as mediator of power and conflict does not soften the fracture; it renders it visible, audible, unavoidable. The film offers no reconciliation; it offers exposure. And in exposing, it compels us to take a position.
The Lights in the Cave cinema cycle, now in its 10th edition, continues with the screening of “DO THE RIGHT THING”, by Spike Lee: a film in which urban space becomes an ethical laboratory. Over the course of a single summer day in Brooklyn, we follow the pulse of a neighborhood shaped by racial differences, economic tensions, and cultural affiliations that coexist without ever fully merging. The street is shared territory — but never entirely common ground.
The staging intensifies this fracture: saturated colors, direct confrontations with the camera, music that affirms identity and memory. Nothing is neutral. Each frame seems to ask who holds the floor, who occupies the center, who bears the weight of history. Rather than offering a conciliatory moral, the film exposes the impasse and returns to the spectator the burden of judgment. The image thus emerges as a mediator of power and conflict — not to resolve tension, but to render it visible and unavoidable.
After the screening, we invite the audience to an open conversation around the idea “The image as a mediator of power and conflict,” questioning the spectator’s position in the face of the tension unfolding on screen. What responsibility do we bear when witnessing the escalation of a collective impasse? To what extent is seeing already a form of participation?
We will reflect on the circulation of speech, the occupation of public space, and the fragile line between resistance and destruction. The film offers neither easy absolution nor simplistic condemnation; it keeps the question open. Here, cinema does not resolve the conflict — it compels us to consider where we stand when the image places us at the center of the street.
Alexandre iniciou seus estudos em música desde a infância, mas escolheu direcionar-se para a comunicação e o cinema ao ingressar na universidade, ainda em sua cidade natal, São Paulo (Brasil). Na época, trabalhou com produção e realização de spots publicitários. Anos depois de lançar seu primeiro curta-metragem de ficção, mudou-se para Lisboa (Portugal), onde fundou a BASE Comunicação Audiovisual, uma agência de comunicação audiovisual, gerindo contas especializadas de diversas marcas e produtos, enquanto com ideias mais artísticas, dedicou-se ao universo do poetry film, da ficção e do drama.
Retomando também suas atividades acadêmicas, e após fazer o mestrado em Desenvolvimento de Projeto Cinematográfico com especialização em Narratologia e Narrativas Cinematográficas concluiu o doutoramento em Ciências da Comunicação também com especialização em Cinema na Universidade Nova de Lisboa e atua hoje como investigador no IFILNOVA - Instituto de Filosofia da NOVA. Atualmente, também é professor de Comunicação Audiovisual em uma renomada escola profissional em Lisboa e é convidado frequentemente para ser consultor de histórias que procuram o seu êxito junto do espectador cinematográfico. Seu mais recente e atual projeto, focado em promover a partilha de narrativas como um meio de autocuidado terapêutico, foi a fundação da PROSA Plataforma Cultural, um espaço aberto à comunidade com atividades que utilizam o poder transformador das artes narrativas e visuais. Lá, com a sua curadoria e com a criação de um extenso grupo de espectadores de cinema, faz-se semanalmente a exibição de ciclos de cinema e filmes, seguidos de debates e análises.
(Filmografia)
"O amor, quando sopra", 6'30'' - 1988
"Mickey", 18’ - 1992
"Buritizal", 39' - 2008
"(Ce n'est pas une) Chanson d'Amour", 09'30'' - 2009
"Fiapo", 5' - 2010
"Um Fiapo de Homem" (Remixes), 3'/7' - 2011
"Devolvendo Isabel", 11’ - 2012
"Meu Pássaro", 15’ - 2017
27 de março, às 19h30
Mín.: 4 participantes
Máx.: 12 participantes
Horário X Edição:
3€
0€*
*Valores para membros Prosa.Valores:

