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Última atualização: 07/05/2026
Próxima sessão agendada:
Sábado Dia 16/05 das 15h00 às 18h00
“Não tenho nada a dizer. Apenas a mostrar.”
Walter Benjamin
O escritor contemporâneo muitas vezes não inventa o mundo;
reorganiza os seus fragmentos.
Walter Benjamin
1. Proposta Dia 18/04
1. O MUNDO COMO COLAGEM
A partir de Walter Benjamin como precursor da escrita pós-digital
Benjamin via a modernidade como uma experiência fragmentária, feita de ruínas, anúncios, citações e restos de linguagem: notificações, headlines, comentários, vozes dispersas.
A sua obra Passagenwerk (Projeto das Arcadas) é literalmente construída como colagem de fragmentos da realidade.
Ele escreve quase como um curador de linguagem.
1. Cada aluno pega no telemóvel.
2. Abre três fontes diferentes:
uma notícia
uma mensagem pessoal
um post de rede social
3. Copia uma frase de cada uma.
4. Agora escreve um texto onde essas três frases aparecem (QUASE) sem alteração.
(6 dentinhos | 12 Linhas)
Mas devem tornar-se parte de uma narrativa coerente.
Mostrar que a narrativa é uma máquina que reorganiza o caos informacional.
Um exercício interessante para praticarmos escrita documental e
pós-digital.
O que é o pós-digital:
A expressão pós-digital surgiu nos anos 2000 em contextos artísticos e teóricos (especialmente em media theory e arte contemporânea). O termo não significa que o digital tenha terminado. Pelo contrário.
Significa que o digital deixou de ser novidade e passou a ser o ambiente invisível em que tudo acontece.
Vivemos numa situação em que: notícias, conversas, publicidade, memórias, imagens, linguagem circulam continuamente em fluxos digitais.
A escrita pós-digital nasce dessa condição:
1. Fragmentação
A realidade chega em pedaços: notificações, headlines, feeds.
2. Hibridismo
Mistura de registos: jornalístico, íntimo, técnico, publicitário.
3. Apropriação
Uso de materiais encontrados (mensagens, comentários, posts).
4. Consciência mediática
A escrita sabe que está inserida num sistema de circulação de informação.
Autores e artistas frequentemente associados a esse tipo de prática: Kenneth Goldsmith;
David Shields; Anne Carson; Teju Cole; Ben Lerner…
2. PÓS-EXERCÍCIO: “O que mudou?”
Vamos fazer três pequenas observações sobre o texto que escreveram.
Qual frase mudou mais de sentido quando entrou na história?
Qual frase parecia banal mas ganhou peso narrativo?
Qual frase continua a parecer estranha dentro da narrativa?
A narrativa não cria apenas acontecimentos.
Ela reorganiza o significado das coisas.
"A modernidade produz informação, mas a narrativa ainda é capaz de
produzir experiência (Erfahrung).
Esse é exatamente o trabalho do escritor.
Transformar fragmentos dispersos do mundo em forma sensível de experiência."
Walter Benjamin
2. Proposta Dia 07/05
1. O MOMENTO IRREVERSÍVEL
A partir de Anton Tchekhov e as suas micro-dramaturgias narrativas.
Pequenos gestos podem conter tragédias inteiras.
A vida contemporânea é cheia de momentos aparentemente pequenos que mudam tudo.
Nos seus contos: uma carta; uma frase; um olhar podem mudar uma vida.
1. Escrever um único acontecimento que dura menos de 1 minuto narrativo.
Algo como:
um botão carregado
uma mensagem enviada
uma porta aberta
um objeto deixado cair
Mas nesse minuto deve acontecer algo irreversível.
(4 dentinhos | 8 linhas)
—
Tragam trechos de textos e/ou letras de canções para a próxima sessão.
Obrigado!
“Uma ação mínima que altera silenciosamente o destino de alguém.
A grande literatura muitas vezes nasce de pequenas fissuras no quotidiano.”
Anton Tchekov.

