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Tasks

Última atualização: 07/03/2026

Próxima sessão agendada:
Sábado Dia 14/03 das 15h00 às 18h00



"Eu não sei falar porque estou a sentir. /
Estou a escutar a minha voz como se fosse de outra pessoa. /
E a minha voz fala dela como se ela é que falasse."

Alberto Caeiro

"A origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica
e constante para a despersonalização e para a simulação."

Fernando Pessoa, da carta a Adolfo Casais Monteiro, de 1935

“Keep a diary, and one day it’ll keep you”
Mae West

1. Proposta Dia 21/02


1. MEMÓRIA E ANOTAÇÃO
(João Maria Mendes)

Qual a situação mais antiga de que vocês se lembram acerca de vós próprios?
Quem estava presente?
O que estava a acontecer?

(8’ | 16 linhas)

Em criança, qual era a pessoa que mais me atemorizava?
Por quê?

(5’ | 12 linhas)

As histórias nascem sobretudo de duas fontes: a memória e a imaginação —
aquilo que vivemos e aquilo que somos capazes de transformar ou reinventar
a partir dessa experiência.
João Maria Mendes (1948–2025)

1. Proposta Dia 07/03

2. CONFIGURAÇÃO | REFIGURAÇÃO

Paul Ricoeur insiste numa ideia decisiva: a narrativa não é apenas sequência de eventos: é configuração:
Os acontecimentos só se tornam história quando, no fim, percebemos o seu sentido.
Antes disso, são apenas fragmentos.

a) Configuração (mimesis II)

A sequência de eventos é reorganizada pelo final.
O tempo cronológico torna-se tempo narrativo.
O sentido emerge da totalidade estruturada.
O texto cria uma forma inteligível do tempo.
Aqui estamos ainda dentro do mundo da obra.

b) Refiguração (mimesis III)

O leitor recebe a narrativa,
Integra-a na sua própria experiência,
Reinterpreta a sua própria vida à luz da história.
A narrativa não termina no texto.
Ela transforma o horizonte do leitor.

(In Temps et Récit, 1983-1985, 3 volumes)

Vamos fazer este exercício:
A partir de 6 acontecimentos banais:

1. Perdi o autocarro das 8h15.
2. Encontrei um envelope castanho no passeio.
3. O telemóvel tocou duas vezes; não atendi.
4. Comprei pão na padaria da esquina.
5. Ao chegar a casa, percebi que não tinha as chaves.
6. Sentei-me no degrau da entrada e fiquei a olhar para a rua.

Escrevemos 3 parágrafos, 3 finais diferentes:

1. Final Trágico
2. Final Libertador
3. Final Aberto

O exercício nos mostra que: nenhum dos acontecimentos deve parecer dramático isoladamente; cada parágrafo deve revelar algo que reconfigure todos os eventos anteriores, sem acrescentar novos acontecimentos, apenas reinterpretando o que já foi dito.

A história não está nos factos: o fim organiza retroativamente o todo.
Narrar é criar coerência — mesmo onde ela parecia não existir.

(12’ | 3 parágrafos: 5 linhas cada)



Tragam trechos de textos e/ou letras de canções para a próxima sessão.
Obrigado!

“A intriga é a operação que extrai uma configuração de uma
simples sucessão de acontecimentos.”

”A narrativa transforma acontecimentos dispersos
numa totalidade significativa.”


Paul Ricoeur (Temps et Récit, Vol.I - 1983)